quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

5 SIGNIFICADOS DA CEIA DO SENHOR



                Desde criança fui ensinado a valorizar adequadamente o culto de celebração da Ceia do Senhor Jesus.
                Posso recordar que meu pai mandou fazer meu “primeiro terno”  especialmente para ser usado no dia da Ceia.
                Admiro-me cada vez que observo em certas igrejas a total ausência de piedade, reverência e solenidade nesse ato de especial celebração. A ceia não pode ser celebrada em um ambiente de velocidade. Ela precisa ser tratada com prioridade, elegância e temor.
                Jesus ordenou que celebremos a Ceia até que Ele volte. Essa perenidade confere uma significação muito peculiar para o Corpo de Cristo.
                Diferentemente do que ocorreu com a multiplicação dos pães, praticada coletiva e publicamente, a primeira Ceia foi oficiada em um ambiente absolutamente privado.
                Não deveríamos vulgarizar tanto a Ceia, a ponto de a realizarmos em um culto público, de domingo à noite, por exemplo, quando não se estabelece nitidamente a diferença entre membros da Igreja e inconversos.
                Quando Paulo recomendou a cada um que se examine a si próprio não estava se referindo a cada um pecador, senão a cada um santo.
                Existem várias significações no ato da Ceia do Senhor. Pretendo alinhar cinco, a seguir.
                Em primeiro lugar, observe-se o significado histórico.
                A Ceia do Senhor assinala o fim dos sacrifícios imperfeitos do Antigo Testamento. Não mais touros, bodes, carneiros, novilhos ou pombas, etc., pois o Cordeiro de Deus havia chegado e estava pronto para o Grande Sacrifício.
                Ela também indica o fim da celebração da Páscoa. A Primeira Ceia aconteceu logo após a Última Páscoa.
                A Igreja, ao contrário de Israel, não tem compromissos com a Páscoa. Para nós, redimidos pelo sangue do Cordeiro, Cristo é nossa Páscoa, como escreveu Paulo aos coríntios.
                É fácil perceber que existe uma tentativa de reeditar a Páscoa na Igreja, a partir das comemorações  da páscoa mundana, sem identidade bíblico e sem conteúdo espiritual.
                Alguma reação séria e efetiva precisa ser oferecida.
A Ceia se identifica com uma aliança absolutamente nova. Assim como a Igreja não é a mera continuação de Israel, a Ceia não é um mero e ocasional desdobramento da Páscoa.
Páscoa é Páscoa e Ceia é Ceia.
A Páscoa recorda Moisés. A Ceia lembra Cristo. Moisés era um tipo. Cristo é o Antítipo, cheio de graça e de verdade.
O sentido histórico da Ceia nos permite entender que o derramamento do sangue de Cristo foi o centro de Seu ministério e é o alicerce de nossa fé no Plano Redentor de Deus.
Sem derramamento de sangue não há remissão de pecado, Hb 9.22.
Em segundo lugar, menciono o aspecto profético da Ceia do Senhor.
A Ceia levanta o véu que encobre muitas profecias e fatos proféticos alinhados ao longo do Antigo Testamento.
Por exemplo, o encontro de Abraão com Melquisedeque. A Bíblia declara que Abraão entregou o dízimo a Melquisedeque  e este, por sua vez, ofereceu a Abraão pão e vinho.
É a primeira vez que esses dois elementos aparecem juntos no texto canônico e apontam para aquela noite em que Jesus entregou pão e vinho aos Seus discípulos, já inseridos no contexto da Ceia.
A Ceia retrata o cumprimento da sublime e imortal profecia de Isaias 53. O Cordeiro se deixou imolar pelos pecadores e seus sofrimentos abriram para nós as portas da salvação, da felicidade e do bem-estar.
A Ceia aponta para o cumprimento literal da mensagem do último  e grande profeta da Antiga Dispensação, João Batista: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”, Jo 1.29.
Durante séculos Deus contemplou as ofertas e os sacrifícios dos cordeiros do homem. Na Cruz Ele viu o Seu próprio Cordeiro morrendo por nós e assegurando-nos uma perfeita e eterna salvação, I Pe 1.18,19; Hb 5.9.
A Ceia une Gênesis ao Apocalipse. Naquele aparece a promessa do proto-Evangelho (3.15). Neste, a multidão de salvos aparece dando graças pelo sangue derramado em seu favor (Ap 5.9-11).
Em terceiro lugar, a Ceia possui um significado escatológico.
Ela aponta para a iminente volta do Senhor Jesus. Ao mesmo tempo em que recorda o passado da Cruz ela nos deixa antever o encontro sublime com o Noivo.
Paulo escreveu aos coríntios: “até que Ele venha”, I Co 11.
A Igreja vive um presente de vitória porque tem um passado de libertação e um futuro de glória.
Jesus falou de beber de novo no Reino do Pai. O ato de participar da Ceia do Senhor revitaliza nossa esperança na Segunda Vinda do Amado. Recompõe os elementos que constituem nossa expectativa e anulam eventuais ataques do Inimigo, os quais tentam nos desmotivar no prosseguimento da carreira cristã.
Em quarto lugar, existe um significado eterno na Ceia do Senhor.
O pão e o vinho são elementos terrenos, mas o que eles representam é algo celestial e duradouro.
A Ceia aponta para a eternidade do sangue de Jesus que é divino, perfeito, imaculado, santo, precioso e totalmente aceito como moeda de compra da nossa libertação e resgate da nossa alma.
A Ceia nos declara a eternidade do sacrifício do Filho de Deus, um  sacrifício irrepetível, feito com a participação do Espírito Santo (Hb 9.14) e totalmente convalidado nas mansões celestiais.
A eternidade desse sacrifício envolve e inclui a eternidade de nossa justificação, Rm 5.1.; 5.9.
A Ceia nos informa que a redenção é eterna e será desfrutada por uma Igreja que recebeu o dom da vida eterna, através de Cristo, Rm 6.23; Jo 3.15,16.
A celebração da Ceia não será eterna, mos o que a motivo possui a eternidade: a Pessoa de Jesus, o sacrifício de Jesus e a salvação oferecida por Jesus.
Finalmente, em quinto e último lugar, não esqueçamos o significado prático da Ceia do Senhor.
Diante da Mesa do Senhor terminam nossas diferenças e o Senhor promove o relevante milagre de nossa unidade em Cristo.
Diante da Mesa do Senhor somos renovados: em nossa fé, em nossa esperança e em nosso amor, I Co 13.13.
Muitas vezes temos chegado à Casa de Deus dominados por algum tipo de exaustão, desmotivados, cansados e enfraquecidos. À medida que a Ceia acontece, um sopro renovador invade nosso espírito, domina nossa alma e se espalha até pelo nosso corpo.
Este é o refrigério de Deus para nossas vidas. Esta é a terapia do Noivo para com a Sua querida noiva.
Diante da Mesa do Senhor nos sentimos UM só, em Cristo. Nosso amor cresce, nossa fraternidade se dilata, nossa comunhão se enobrece e se agiganta.
Diante da Mesa do Senhor saímos fortalecidos, ou seja, com uma nova disposição nova para continuarmos a viagem, para permanecermos no combate, para multiplicarmos a nossa devoção a Quem nos amou e por Seu sangue nos lavou de nossos pecados, Ap 1.5.
Graças a Deus pela Ceia do Senhor. 
E milhões de vezes mais, graças a Deus pelo Senhor da Ceia.
A Ele glória no tempo e na eternidade.
No dia da Ceia e em todos os demais, recordemos sempre que a vitória é nossa pelo sangue de Jesus.
Nota: Lembro aos meus nobres leitores que de 4 a 6 de maio próximo estarei promovendo o PRIMEIRO SEMINÁRIO NACIONAL PARA PREGADEORES DO EVANGELHO, em Indaiatuba, SP. Informações através do site: www.gezielgomes.com  e/ou do endereço eletrônico: erissonedmilson@gmail.com


3 comentários:

Paulo disse...

Excelente postagem, pastor.

Fico triste quando alguns líderes confundem duas coisas com o "Culto de Ceia do Senhor":

1ª- confunfem com culto administrativo, onde muitos são induzidos a pensar em relatórios, cargos e detalhes burocráticos,quando deveriam devotar toda a sua atenção em memória do Calvário.

2ª.Confundem com reunião de demonstração de força política-eleitoral,chamando políticos para cuspirem falsas promessas sobre a Mesa da Ceia,fazendo banalizar um momento privado de íntima comunhão e desobedecendo a ordem de Cristo que mandou: "fazei isto... em memória de mim".

Agora o mais ridículo é ficar com o cálice na mão,(como refém do final da Ceia)esperando uma porção de avisos genéricos, antes do final do culto e somente depois de tudo, ouvir uma fria permissão: "agora podem ceiar".

Acredito que esta sua postagem vai EDUCAR muitos obreiros.

PAULO MORORÓ

Pb. Glauko Santos disse...

Nobre irmão em Cristo, Pr. Geziel:
Paz seja com o servo de Deus e digníssima família.

Uma postagem edificante, cujo conteúdo promove a reflexão e pode em muito contribuir para sanar possíveis discrepâncias e desajustes de entendimento sobre a aplicação prática dos princípios de um Culto de Ceia do Senhor em alguns lugares.

Outrossim, externo meu ponto-de-vista concordante com o prezado irmão Paulo no seu comentário que me antecedeu, haja vista que já testemunhei tais procedimentos e demonstrações.

Assim, um forte abraço fraternal com graça e paz do Senhor Jesus.

Weder Fernando Moreira disse...

Excelente post Pr Geziel!!!