quarta-feira, 29 de outubro de 2008

PERMANECENDO NA VOCAÇÃO

O sagrado Ministério do Evangelho é exercido por pessoas que receberam de Deus um chamado e uma vocação.

Esse chamado e essa vocação situam-se entre os mais extraordinários privilégios por Deus outorgados a Seus filhos, enquanto aqui na Terra.

Nos primórdios da Igreja brasileira, eram poucos os ministros. Poucos e bons. Poucos e santos. Poucos e fiéis. Poucos e comprometidos com Deus. Poucos e poderosos no Espírito.

Tive a honra de conhecer alguns desses gigantes espirituais: Daniel Berg, Nels Nelson, José Menezes, Antonio Petronilo, Nils Kastberg, Eric Bergstén e outros.

Durante muito tempo os ministros eram pessoas de uma devoção incomum, ungidos somente após longo tempo de prova.

Hoje são muitos, muitíssimos. Desde que se iniciou o fenômeno da multiplicação começaram a haver distorções. O critério seletivo foi se enfraquecendo.

Por várias décadas ministros no Brasil eram servidores de Deus e da Igreja, apenas. Ou seja, serviam com tempo integral. Como no tempo de Pedro, Atos 3.

Mais tarde, os métodos e práticas bíblicos (jejum, oração, direção divina, busca incessante a Deus, postura pessoal, testemunho santo, caráter ilibado, etc. etc.), foram sendo afetados por uma inversão de estratégias e de valores.

Hoje os ministros são muitos. Muitíssimos. Verdadeiras multidões. Em alguns lugares aqui embaixo, isto causa euforia. Não sei lá por cima, onde a transparência é divinamente justa.

No seio e no meio dessas multidões encontra-se alguns cuja especialidade é fazer conchavos políticos, administrar empresas, defender clientes nos Tribunais, coordenar planos de seguridade, montar loby no Parlamento, garantir lucros nas Bolsas de Valores (tarefa árdua, nestes dias de crise), gerir clínicas de psicologia e similares, produzir lojas de grife e outras tarefas mesquinhas aos olhos de Deus.

Muitos deles fazem tudo e de tudo, menos pregar o Evangelho. Porque não dispõem de tempo, nem de inspiração, nem de graça, nem de chamada, nem de vocação.

Tristes tempos, estes.

Onde estão os operadores de milagres? Os pregadores que levam multidões aos pés de Cristo (e não aos seus próprios)? Para onde foram os sucessores de Moody, de Finney, de Spurgeon e de Savonarola? Isto, para não falar nos de Pedro, João, Paulo e Apolo.

Nada de pessimismo. Trata-se, apenas, de uma reflexão. Enquanto ainda vale a pena ser feita.

Centenas de "ministros" hoje já não consultam mais a Bíblia. Bastam-lhes a Constituição Brasileira (e outras), o Código Tributário, o Como Aplicar na Bolsa, o Manuel de um bom Síndico, o Código de Edificações do Municípios e os Regimentos Internos de centenas de...

O brilho, a grandeza, a magnificência e o esplendor das sagradas
ordenações ao ministério personalizadas de antigamente, cederam lugar às "consagrações" massivas, intempestivas, irreverentes e desordenadas. Já vi 1.100 de uma vez só. Os últimos "consagrados" estavam ajoelhados na calçada do templo, com os olhos abertos vigilantes, para não serem atropelados pelos "motoqueiros".

Que lembrança essa gente terá do maior dos seus dias?

Para foi o espírito de solenidade, que habitava no Tabernáculo, no Templo de Salomão e na Igreja Primitiva? Alguém tem notícia de seu destino?

Paulo sentiria nojo de algumas dessas "festas", pois já ordenara, pelo Espírito, que não fossem impostas as mãos sobre neófitos e outros.

Não sei o que os parlamentos nacionais absorveram do Ministério do Evangelho em nossa Pátria. Mas vejo o que este copiou daqueles: a habilidade de fazer campanhas políticas para eleger seus dirigentes. Muito dinheiro, muitas barganhas, muitas promessas, muitas difamações, muitos discursos, muitos conchavos.

Em consequência, nenhuma oração, nenhum jejum, nenhum amor e nenhum temor.

Durante nove décadas a Igreja ignorou a necessidade de apóstolos para os seus quadros ministeriais. Agora amarga a sua ausência.

Em lugar deles os líderes preferiram o pomposo ministério de presidente. Ele se parece mais com "aquilo que as gentes possuem", como no tempo de Saul. Foi apenas uma troca. Sim, trocaram Efésios 4 por Atos 29, Romanos 17 e Hebreus 14.

Essa ausência de apóstolos e mestres na igreja contemporânea debilita cada vez mais essa que é a mais nobre de todas as instituições na Terra.

Seria tão salutar poder se constatar que todos os santos ministros de Deus são crentes! Em alguns concílios da Igreja há os que procedem como se não fossem. Nos últimos tempos tenho encontrado dezenas que me dizem que por lá estiveram – e nunca mais voltarão.

Seria tão precioso ver que os homens de Deus continuam a merecer o respeito e a admiração do povo, como no tempo do profeta Elias: "Vejo que este que passa por nós é um santo homem de Deus".

Nunca é tarde demais para refletir. Quem não tem chamada nem vocação não deveria aceitar a ordenação ao Santo Ministério.

Quem tem chamada e vocação não deveria sair dele, nem trocá-lo por nenhuma outra tribuna.

Nunca haverá na Terra um lugar mais sublime que o púlpito da Casa de Deus. Mesmo ser um rei ou imperador neste mundo ainda é bem menor que ser um profeta de Deus. Os reis herdam o trono de seus pais. O ministro de Deus recebe sua unção do trono do TODO-PODEROSO.

Cada um fique na vocação em que foi chamado.

5 comentários:

Marcelo Barboza disse...

Linda reflexão de uma triste realidade, amargamos o dissabor de verdades tão reais que sinceramente preferíamos que fossem apenas um grande pesadelo; ao acordar iríamos suspirar aliviados.

Gostaríamos de ver aquilo que só pode ser operado pelo Espírito; verdadeira multiplicação de ceiferos ao invés de cópia barata.

Mas coragem companheiros ainda podemos mudar a situação, bradando, enunciando e proferindo as verdades Deus.

O Deus de Isaías, Jeremias, e João Batista é o nosso também; não podemos nos esquecer do preço que estes pagaram pela verdade proferida.
Coragem Deus conta conosco!!!

Marcelo disse...

Shalom ! Nobre Pr Geziel, que este texto seja uma voz profética a todos que o lerem . Na verdade , temos hoje ministros que tem luz na mente , mas não tem fogo no coração. Tem erudição, mas não há unção. Tem fome de livros, mas não das Sagradas Escrituras. São cultos, mas são vazios. Como disse E.M.Bounds : homens mortos pregam sermões mortos , e sermões mortos matam. Estamos vendo o empobrecimento dos púlpitos. Precisamos urgentemente de homens que não apenas profiram a Palavra de Deus, mas que sejam a BOCA DE DEUS ( Jr 15.19) Conforme I Rs 17.24 a mulher disse : ...... que a palavra do SENHOR na tua boca é VERDADE . Termino com duas máximas : " “Se existe debaixo do céu um lugar mais santo do que outro, este é o púlpito de onde o evangelho é pregado” — Charles Spurgeon. Ainda que a Rainha da Inglaterra lhes convidassem para serem ministros do país, não se rebaixem a tal ponto, desistindo do sublime ministério de Pregadores do Evangelho .

um abraço amigo , amigo - Ev . Marcelo de Oliveira

Berenice disse...

COMO SEMPRE...
O SENHOR TEM RAZÃO.
O COMENTÁRIO É SÉRIO, PROFUNDO, PORÉM, TRISTE.
E DIGO MAIS...INFELIZMENTE ESSE ABSURDO NÃO ESTÃO INCLUSOS APENAS OS PREGADORES, CANTORES TAMBÉM SEM NENHUMA UNÇÃO, APENAS COM VOZ BELA ESTÃO EM NOSSOS PULPITOS, CANTANDO, APENAS CANTANDO, LETRAS DE OUTRAS PESSOAS,(ABRE MAR, CAI MURO, ENTRA ANJO, SAI ANJO) MUSICAS APENAS DE FAZER O POVO LEVANTAR...MAS ONDE ESTÃO OS VERDADEIROS LEVITAS DO SENHOR, AQUELES QUE LEVAM O POVO A REALMENTE ADORAR A DEUS, COM LETRAS E MELODIAS UNGIDAS....
QUANTO AOS PREGADORES, O NOBRE PASTOR ESQUECEU DE MENCIONAR QUE ALGUNS ESTÃO VIRANDO MERCENÁRIOS, CHEGANDO AO ABSURDO DE PEDIR UMA "OFERTA" DE R$ 3.500,00 OU 4,500,00 (DEPENDENDO DO EVENTO - IGREJA OU CRUZADA O VALOR MUDA) POR NOITE. A OFERTA, É DIREITO DO PREGADOR, SIM, MAS TUDO COM DESCÊNCIA E ORDEM.

w conferencista disse...

É triste mais é verdade !

-Clamamos por um verdadeiro avivamento em que tudo verdadeiramente convirja para glória de Deus e não de homens ...quanta injustiça opressão, tirania, simplismente por emitirmos opinião discordante, claro que respeitosamente reconheçendo a autoridade do homem de Deus que por mordomia apascenta o santo rebanho do SENHOR que lhe foi confiado, presidência de igrejas hoje virou herança é filhos, esposa, genros,netos...que tristeza !
Ouvi um nobre pregador testemunhar , por ética vou declinar seu nome, disse ele : Apesar de um longo ministério, eu sou POBRE !

Que o SENHOR Nos guarde !

Arthur disse...

Lamento que o ministério sagrado de Jesus se torne palco de politicalha de pior qualidade. Pois, se falarmos palco de política, estaremos rebaixando e desonrando a arte e ciência chamada política. Mesmo não sendo o ministério, o foro adequado, no fundo, querem ser políticos, mas não podem e não são. Então, fazem politicalha eclesiática no lugar errado.
Será que ainda há espaço na igreja brasileira para Barnabé ingressar Saulo no sagrado ministério de Jesus? At.9.27,28
Muitos ministros, muitos concílios,convenções,federações. Vemos que tais ministros são mais reconhecidos por ser administradores da organízação, do que por autoridades espirituais. Conhecem mais de estatutos e cnpj do que da Bíblia Sagrada, em sua essência e espírito. Estão mais preocupados com a organização do que com o organismo místico de Cristo. Um inversão de valores. O mundanismo na igreja local e não os princípios inegociáveis do Reino na igreja local que é expressão do corpo de Cristo. "...ou será que faço meus planos de modo mundano, dizendo ao mesmo tempo "sim" e "não"?". II Co.1.17.
Estamos beirando, ou já entramos na infalibidade papal dentro da igreja que um dia protestou. Como disse Lord Acton: "o poder absoluto corrompe absolutamente".
Parece que estamos e um tempo novo e antigo ao mesmo tempo. Novo porque vemos papistas na igreja protestante. E antigo porque é um remanescente papismo católico. No fim das contas, é a apenas a descoberta da natureza humana decaída, que desvenda o coração não regenerado dessa gente. Enfim, o ministério sagrado de Jesus não é lugar para gente fracassada: na medicina, na advocacia, na engenharia, na política. Mas, sim para os vocacionados e chamados por eleição divina. Jesus dá o ministério e o obreiro desenvolve a carreira. At.20.24
Urgentemente, comecemos uma mobilização, para a CONFISSÃO nacional das igrejas no Brasil. Como a Assembléia de Westminster. Ne.9.3,4
Arthur Bittencourt-SP