segunda-feira, 17 de maio de 2010

UMA BÊNÇÃO CHAMADA SINCERIDADE

Andam dizendo por aí que homens sinceros são uma espécie em extinção.
Espalha-se, por todos os lados, que essa notável virtude, a sinceridade, saiu de moda. E de cena, o que é profundamente lamentável.
Um número quase incontável de pessoas tem descoberto que é infinitamente mais fácil e mais popular ser falso e demagogo e fugir do compromisso de ser sincero, mediante uma torpe aliança com a desonestidade, a mentira e o engano.
Um dos maiores desalentos da vida ocorre quando se descobre que um amigo, principalmente um bem chegado, deixou de ser sincero em suas palavras ou em seu comportamento.
Porém, ainda parece pior quando alguém não consegue ser sincero e fiel consigo próprio. Vale a pena lembra a pergunta de Dostoievski: agora vou tirar a prova: será possível sermos francos e sinceros, pelo menos com nós próprios, e dizermo-nos toda a verdade? (Cadernos do Subterrâneo).
Josué foi divinamente orientado a falar objetivamente ao povo de Israel a respeito da maneira correta de servir a Deus. Ele declarou em Js 24.14: “Agora, pois, temei ao Senhor, e servi-o com sinceridade e com verdade”.
Nesta escritura temor e sinceridade estão ligados. Trata-se de uma associação providenciada pelo Espírito de Deus e que precisa ser experimentada, cultivada e preservada por todos os que professam sua fé em Cristo.
Torna-se impossível à criatura humana temer a Deus agradavelmente se sua vida não está permeada de sinceridade.
O coração que teme a Deus deve ser inerentemente um coração sincero.
Ser sincero significa possuir grandeza de alma e intensa força espiritual, pois como afirmou La Rochefoucauld, as pessoas fracas não podem ser sinceras.

O pai da fé foi a primeira pessoa a usar a expressão sinceridade de coração, Em Gn 20.5 ele declara sua sinceridade e no terceiro versículo subseqüente tal sinceridade é solenemente reconhecida por seu interlocutor.
Não é de estranhar que Abraão seja chamado de amigo de Deus três vezes ao longo das Escrituras, visto que Deus não admite compartilhar Sua amizade com alguém que não se distinga por sua sinceridade, Pv 3.32.
A sociedade está tendo atualmente enorme dificuldade em acreditar no que as pessoas dizem, mesmo em se tratando de elevadas autoridades, porque ela, a sociedade, não consegue distinguir quando as palavras ditas e ouvidas são ou deixam de ser sinceras.
Não apenas no livro de Josué, mas também em Juízes (9.18; 19.9) a verdade está associada à sinceridade. É decididamente impossível alguém ser verdadeiro se não for sincero. E vice-versa.
Os reis precisam ser sinceros. Esta lição foi ensinada pelo Eterno a Salomão, nos dias primeiros de seu governo real, I Rs 9.4.
Em I Cr 29.17 lemos que Deus Se agrada da sinceridade. Isto significa que cada vez que deixamos de ser sinceros estamos desagradando a Deus, o que sempre resulta grave para quem assim procede. Se os reis devem ser sinceros, todos os governantes, todos os líderes e todos os que exercem autoridade devem igualmente sê-lo.
Depois de haver vencido heroicamente todos os desafios, todas as tragédias e todas as infelizes notícias de suas sucessivas perdas, Jó venceu dentro de sua casa a impiedosa batalha que teve por protagonista sua própria mulher.
Quão terrível foi a pergunta feita ao patriarca por sua mulher: Ainda reténs a tua sinceridade? Amaldiçoa a Deus, e morre. Essa pergunta foi instigada por Satanás, visto que ele havia recebido do próprio Deus a declaração oficial de que Jó era um homem sincero, Jó 2.3.
Ao longo do livro de Jó existem mais duas declarações de sua sinceridade, ambas feitas por ele mesmo, 31.6; 33.3.
Nenhuma adversidade foi tão forte a ponto de abalar o caráter sincero de Jó. Bem-aventurados são aqueles que jamais se separam de uma bênção chamada sinceridade.
Duas vezes no salmo 26 (versos 1 e 11) Davi declarou que andava em sinceridade perante Deus e duas vezes ele mencionou a necessidade de ser guardado e sustentado por Deus messa mesma sinceridade, Sl 25.21; 41.12.
Vários são os efeitos da sinceridade na vida do cristão. Mencionemos cinco:
(1) A bênção de ter a Deus como escudo pessoal, Pv 2.7;
(2) A certeza de andar em segurança, Pv 10.9;
(3) A possibilidade de ser guiado diuturnamente, Pv 11;3;
(4) A posse da felicidade, juntamente com seus familiares e descendentes, Pv 20.7. (5) Um fim de plena paz, Sl 37.37.
A falta de sinceridade é um fermento que tem roubado a beleza de caráter de muitas vidas. Paulo a denomina de fermente velho, I Co 5.8.
O próprio Paulo foi um notável exemplo de homem comprometido com a sinceridade, razão por que possuía uma consciência pura diante de Deus e dos homens, II Co 1.12.
Os pregadores devem ser sinceros, no púlpito e fora dele. Os pastores devem ser sinceros perante o rebanho e diante da sociedade que os rodeia, II Co 2.17; Tt 2.7.
Todos os crentes devem ser sinceros, Fp 2.15: na fé, na oração, na esperança, na fidelidade.no ânimo e no amor, II Pe 3.1; II Co 8.8.
Aos que primam por cultivar uma bênção chamada sinceridade, dedico as preciosas e imortais palavras do apóstolo Paulo, constantes de Ef 6.24:
A graça seja com todos os que amam a nosso Senhor Jesus Cristo em sinceridade. Amém.

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